domingo, 10 de maio de 2009

Memórias do processo de alfabetização


Olá amigos, todos nós temos exemplos na nossa história de aprendizagem de pessoas que nos marcaram profundamente, "professores" que nos fizeram gostar de suas disciplinas, e assim tivéssemos facilidade em aprender. Se escolhemos a profissão de educador, isso não foi por acaso, o nosso vínculo com a aprendizagem foi muito mais positivo do que negativo. Escrevi a crônica quando participei do PROFA (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores), foi um dos muitos momentos significativos do curso, quantos traumas, medos, belezas, risos emergiram de nossas lembraças? Esta é uma das muitas lembranças de uma doce fase da minha vida. Abraços afetuosos!!!!


Memória do processo de alfabetização

Sempre acreditei que a curiosidade é o que move o mundo; a alfabetização, não sei de fato, parte (se é que existe parte nesse todo) dela, desta virtude humana, a curiosidade.
Minha família soube como nunca e sutilmente utilizá-la, fui alfabetizada em casa, ouvido meu pai ler cordel, histórias fascinantes e musicadas, sempre à noite quando não chegava muito cansado da labuta. Agora ainda posso recordar o título: Josafá e Marieta seria um Romeu e Julieta em versão popular. E vendo minha irmã escrever em seu delicado e atraente diário.
Acredito que foi aí, justamente nestes momentos freqüentes e informais que comecei a ser alfabetizada, através da curiosidade banhada pelas rimas do cordel e pelo desejo de conhecer a vida pessoal, ou seria... histórias secretas dos outros, (assim fica melhor , o que o leitor não poderia pensar?).
Algum tempo depois, comecei a freqüentar a escola da Pró Estela, essas escolas de fundo de quintal em que depósito vira sala de aula, em que grãos de milhos eram usados nos castigos e existia a Chiquinha, palmatória, a auxiliar da professora.
Nessa época já sabia ler, porém fui obrigada, o que me deixou contente na ocasião, talvez pela inocência da idade, a seguir à risca as lições da cartilha e também a soletrar igualzinho, igualzinho mesmo como a professora. Na palavra balão, por exemplo, o til era soletrado para obter a palavra e assim aquelas tardes tinha um que de rãtiliã=rã, balãotilião=balão.
E foi assim, entre um choro aqui, o medo de ir a escola e as dores de barriga que inventava que conclui a cartilha e graças a Deus a curiosidade resistiu.

Um comentário:

Mayre disse...

Ilminha, que bom que agora vc é blogueira rsrsrs Tive até vontade de voltar a blogar...sim, sim, acho que farei isso!! rsrs Adorei os posts, voltarei aqui sempre pra conferir as novidades!!

Bjoooo